O Síndico

“Cuidado com o disco voador, tira essa escada daí. Essa escada é pra ficar aqui fora.

Eu vou chamar o síndico Tim Maia! Tim Maia! Tim Maia! Tim Maia!”

(W/Brasil – Jorge Bem Jor)

Síndico é basicamente aquele infeliz cidadão de boa alma que recebe mil reclamações, mas que tem o reconhecimento do seu valor igual a limite de 1 sobre x, com x tendendo ao infinito.


Ok, ok, ok! Minhas leitoras são advogadas… logo, síndico é aquele cara que não é reconhecido, apesar do árduo trabalho que enfrenta.

Imaginem o trabalho que dá ter que administrar o prédio, ouvir reclamações de que tem morador fazendo obra no domingo – mesmo que a “obra” seja fazer um furo para colocar um quadro, ter que lidar com os empregados, negociar com os fornecedores, resolver os problemas decorrentes do cano do condomínio que arrebentou… calma, o cano é mesmo do condomínio? E isto se todos os moradores confiarem plenamente nele, caso contrário ainda vai ser chamado de ladrão!

Pois é, atividade extremamente ingrata. Mas por que alguém em sã consciência seria síndico? Uns para ocupar o tempo, outros por gostarem (tem louco para tudo) e alguns para evitar um síndico pior. Entretanto, independente do motivo, na maioria dos casos os condôminos concordam em pagar uma certa quantia ao síndico para minorar a sua dor.

Em alguns prédios é um valor fixo, todo mês o síndico recebe x de pró-labore. Em outros se concede um desconto no valor do condomínio. Mas o que é melhor?

Se considerarmos que o fixo seja o mesmo que o valor que ele pagaria de condomínio, o melhor é que ele receba um fixo!

Mas não seria a mesma coisa, as leitoras poderiam perguntar. Não, pois se ele receber um fixo, será de seu interesse pessoal manter o condomínio no menor valor possível. Já se ele for isento do pagamento do condomínio, quanto mais serviços que este preste (p. ex. manobrista) ou investimentos que faça (como uma reforma), mais ele será beneficiado. Além disto, na segunda opção o síndico não será afetado por um aumento absurdo no salário dos funcionário. Ou melhor, será sim, pois os empregados ficarão mais felizes e tratarão o síndico melhor.

Conclusão: quem administra o dinheiro tem que ser diretamente impactado pelo seu uso. Deve se beneficiar das economias e arcar com os desperdícios.

O que isto tem a ver com o Congresso? Tudo a ver, só que lá os síndicos estão longe e não são acessíveis e probos como a do meu prédio.


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