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Cotas em Universidades

Nos últimos anos diversas universidades públicas adotaram cotas nos seus vestibulares. São cotas para afros-descendentes, índios, deficientes físicos, pobres, filhos de policiais militares e bombeiros…

Esquecendo o fato de que já existe gente solicitando a criação de cotas para “mulheres gostosas e disponíveis” (o povo da engenharia iria adorar rsrsrs), este é um tema que gera muitas controvérsias.

Basicamente seus defensores dizem que as cotas são necessárias para “corrigir erros históricos”, afirmando que o fato do tataravô da pessoa ter sido escravo reduz a sua possibilidade de ingressar na universidade. Os contrários muitas vezes simplificam a questão, dizendo que “cada um com seus problemas”.

Existem aqueles, dentre os quais me incluo, que acreditam que a verdadeira solução é melhorar o ensino básico e médio (ainda se chamam assim?) para todos. Se todos tiverem um bom ensino (inclusive alimentação saudável e suficiente), tenderão a passar os alunos mais esforçados ou inteligentes.

Ah, mas isto é injusto, podem dizer alguns. Por que o mais inteligente deve levar vantagem? Bem, por que o que não é o mais inteligente deve? E principalmente, alguém acha que só inteligência faz alguém passar?

O interessante é que hoje ví duas decisões judiciais sobre a questão.

A primeira, do Órgão Especial do TJ-RJ, suspendeu os efeitos da Lei nº 5.346/2008, do Estado do Rio de Janeiro. O autor da ADIN alegou que “A lei é demagógica, discriminatória e não atinge seus objetivos. O preconceito existe, não tem como negar, mas a lei provoca um acirramento da discriminação na sociedade. Até quando o critério cor da pele vai continuar prevalecendo? A ditadura do politicamente correto impede que o Legislativo discuta a questão”.

A segunda, anterior a esta, foi do TRF da 2º Região em caso no qual 15 estudantes que seriam aprovados no vestibular se não existissem as cotas, mas não o foram por causa de uma lei de cotas, obtiveram liminar para suspender os efeitos da reprovação.

Ambas as decisões foram por maioria de votos.

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  1. sarita
    25, maio, 2009 em 23:27 | #1

    Quando eu era professora, todas essas medidas caíam sobre nós como um balde de água fria e desestímulo. Quanto mais se buscam paliativos, menos se resolvem os problemas estruturais; quanto mais se tapam os buracos, menos se reestruturam os meios de transporte e a qualidade das estradas.
    O ciclo (com o que todos chamam – de forma errada – de aprovação automática) veio como a salvação e caiu na vala comum da falta de investimento (tente você fazer uma boa idéia funcionar em uma sala pequena com 30 crianças, tente!). As cotas vieram como justificativa para uma aparente dívida histórica dos brancos (?) com os negros (?). Existem brancos e negros no Brasil? De verdade?
    Minha avó paterna era filha de alemães; meu avô paterno era filho de ex-escravos. Minha avó materna é neta de índios e portugueses; meu avô materno era neto de europeus. Estudei minha infância em colégio particular; na 5a série fui para uma excelente escola municipal, fiz concurso (e fui aprovada) para Formação de Professores em outra escola pública e, depois, um ano de curso preparatório permitiu o ingresso na UFRJ.
    O que eu fiz? Estudei. Cota resolve problema social? Não resolve. Nunca resolveu. É só um preconceito velado; uma forma de dizer que quem é pobre ou negro não tem capacidade, ou de reconhecer que o ensino público é tão deficitário que não consegue garantir que esses que não podem pagar São Bento, Santo Inácio, Santo Agostinho façam uma boa universidade.
    Por favor, me economizem.

  2. sarita
    25, maio, 2009 em 23:33 | #2

    E sim, fora raras exceções, o ensino público é, sim, deficitário.
    As exceções geralmente são os professores. Impressionante como alguns (minha irmã, por exemplo) conseguem todos os dias tomar em suas mãos a responsabilidade por construir um mundo um tiquinho melhor.

    (Vocês não sabem a felicidade – felicidade mesmo – que é ver que você conseguiu fazer a diferença pra uma criança. Foram os melhores momentos da minha vida até hoje. E até hoje eu não sei porque desisti.)

  3. 26, maio, 2009 em 21:52 | #3

    Sim, o ensino público é, em sua maioria, deficitário. Na verdade, o ensino como um todo é deficitário no Brasil. Mas isto fica para outro post.
    Aliás, você podia fazer um no seu blog, contando a visão de uma ex-professora.
    Por que você desistiu? Quem sabe por, dentre outras coisas, a falta de incentivo aos professores.

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