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Arquivo da Categoria ‘O Brasil não é para principiantes…’

Antes que fique com 0…

21, maio, 2009 2 comentários

leitoras, acredito mais prudente terminar o assunto!

Basicamente devemos fazer com nossos políticos o que alguns prédios fazem com seus síndicos: pagamos um fixo e eles também racham a conta.

A minha proposta é simples: calculemos um valor para cada deputado ou senador. Sei lá, R$100.000,00 por mês está bom? Pensem bem, R$ 1.200.000,00 por ano.

Mas TUDO o que eles receberiam seria este valor. 12 parcelas anuais iguais. E deste dinheiro teriam que pagar tudo, tanto seu pró-labore, quanto salários (incluindo direitos sociais e impostos) dos empregados, passagens, telefonemas, carros, apartamento, condomínio…

Condomínio, que condomínio? Ué, o condomínio do Congresso! A idéia é que eles tenham uma verba fixa para pagar todas as despesas, incluindo todas as despesas do Congresso. E aí podemos citar os salários dos empregados, dos cedidos, as aposentadorias e pensões, a manutenção do edifício, os prestadores de serviço, os terceirizados…

O que ganharíamos com isto? i) a despesa seria fixa; ii) sofrendo as conseqüências de seus atos nos próprios bolsos, eles passariam a tomar mais cuidado com os gastos; iii) os políticos honestos (sim, eu acredito que existam) poderiam economizar dinheiro para suas campanhas.

Aliás, isto me lembra um comentário sobre uma deputada. Falaram que ela era séria, que o que combinasse de salário com ela a pessoa efetivamente recebia… diante da cara atônita do interlocutor, a pessoa explicou: sabe como é? Tem muito político que fica com parte do salário dos assessores!

Metrô

21, maio, 2009 Sem comentários

Estação Estácio: pequena pausa na minha avaliação do Congresso.

 

Um dos maiores problemas do Metrô do Rio de Janeiro é a integração das linhas 1 e 2, que nunca foi concluída. Para quem não sabe, a Linha 2 não acaba, pelo menos não no projeto, na estação Estácio. De lá ela seguiria para a Carioca (que já tem uma segunda estação quase pronta), passando antes pela Estação Praça da Cruz Vermelha e terminando na Estação Praça XV.

 

Atualmente o Metrô Rio está construindo uma “interligação” entre as linhas 1 e 2. Ocorre que este projeto, além de não resolver nada, vai trazer mais problemas.

 

Próxima estação: Revista do Crea-RJ, página 32.

 

PS: Tive a grande oportunidade de trabalhar em um projeto com o Prof. Fernando MacDowell. Ele realmente entende muito do assunto e sabe do que está falando.

 

O Síndico

21, maio, 2009 Sem comentários

“Cuidado com o disco voador, tira essa escada daí. Essa escada é pra ficar aqui fora.

Eu vou chamar o síndico Tim Maia! Tim Maia! Tim Maia! Tim Maia!”

(W/Brasil – Jorge Bem Jor)

Síndico é basicamente aquele infeliz cidadão de boa alma que recebe mil reclamações, mas que tem o reconhecimento do seu valor igual a limite de 1 sobre x, com x tendendo ao infinito.


Ok, ok, ok! Minhas leitoras são advogadas… logo, síndico é aquele cara que não é reconhecido, apesar do árduo trabalho que enfrenta.

Imaginem o trabalho que dá ter que administrar o prédio, ouvir reclamações de que tem morador fazendo obra no domingo – mesmo que a “obra” seja fazer um furo para colocar um quadro, ter que lidar com os empregados, negociar com os fornecedores, resolver os problemas decorrentes do cano do condomínio que arrebentou… calma, o cano é mesmo do condomínio? E isto se todos os moradores confiarem plenamente nele, caso contrário ainda vai ser chamado de ladrão!

Pois é, atividade extremamente ingrata. Mas por que alguém em sã consciência seria síndico? Uns para ocupar o tempo, outros por gostarem (tem louco para tudo) e alguns para evitar um síndico pior. Entretanto, independente do motivo, na maioria dos casos os condôminos concordam em pagar uma certa quantia ao síndico para minorar a sua dor.

Em alguns prédios é um valor fixo, todo mês o síndico recebe x de pró-labore. Em outros se concede um desconto no valor do condomínio. Mas o que é melhor?

Se considerarmos que o fixo seja o mesmo que o valor que ele pagaria de condomínio, o melhor é que ele receba um fixo!

Mas não seria a mesma coisa, as leitoras poderiam perguntar. Não, pois se ele receber um fixo, será de seu interesse pessoal manter o condomínio no menor valor possível. Já se ele for isento do pagamento do condomínio, quanto mais serviços que este preste (p. ex. manobrista) ou investimentos que faça (como uma reforma), mais ele será beneficiado. Além disto, na segunda opção o síndico não será afetado por um aumento absurdo no salário dos funcionário. Ou melhor, será sim, pois os empregados ficarão mais felizes e tratarão o síndico melhor.

Conclusão: quem administra o dinheiro tem que ser diretamente impactado pelo seu uso. Deve se beneficiar das economias e arcar com os desperdícios.

O que isto tem a ver com o Congresso? Tudo a ver, só que lá os síndicos estão longe e não são acessíveis e probos como a do meu prédio.


Subsídio…

17, maio, 2009 1 comentário

Nós, pobres mortais, recebemos salários (quando empregados). Senadores e deputados recebem “subsídios”. Aí começa uma coisa interessante, deputados e senadores recebem o mesmo valor… é, está lá no art. 49, VII, da Constituição.

Ok, sem considerar as divergências terminológicas, quanto eles recebem?

Por mais incrível que pareça, até por sermos nós que pagamos, deu um bom trabalho descobrir isto. Mas até que o dado veio completo.

Segundo a Câmara, um deputado recebia em 2008:
Subsídio: R$ 12.847,20
Auxílio Moradia: R$ 3.000,00 (para os que não recebem apartamentos funcionais)
Passagens Aéreas: de R$ 4.253,91 (Distrito Federal) até R$ 16.938,44 (Roraima)
Correios e Telefones: R$ 4.268,55. Dependendo do cargo recebe mais R$ 1.244,54 (cota não utilizada em um mês acumula para o seguinte)
Verbas Indenizatórias: R$15.000,00
Verba de Gabinete: R$ 50.815,62 (contratação de pessoal)
Publicações: R$ 6.000,00/ano

Muito?

Nem tanto, salvo alguns exageros é claro.

Para que um deputado do Distrito Federal recebe R$ 4.253,91 para gastar com passagens aéreas? E para que o de Roraima recebe R$16.938,44 se a passagem mais cara Boa Vista / Brasília / Boa Vista custa R$ 2.815,04 e o mês só tem 4 semanas?

Para que tanto dinheiro com Correios e Telefones?

Por que as contas se multiplicam? Sinto que a Dani vai ficar triste…

PS: Antes que as minhas 2 leitoras fiquem indignadas: R$ 12.847,20 não é muito para um parlamentar que trabalhe honestamente, o que não é bem a classificação a ser dada para a maioria dos nossos.

Passagens, terceirizados e muito mais…

16, maio, 2009 2 comentários

Nas últimas semanas muito tem se debatido sobre o que os políticos fazem com o nosso rico dinheirinho. Nosso, já que integro a parte da população brasileira que paga impostos, não somente o Imposto de Renda Retido na Fonte, mas também todos os tributos que incidem quando usamos o telefone, compramos comida, pegamos empréstimo ou fazemos qualquer coisa na vida.

 

Pois bem. Eles gastam o nosso dinheiro, mas quanto, como e em que?

 

O que aparentemente seria impossível descobrir, o quanto, foi até fácil: em 2008 gastamos R$ 717.654.890,00 (informação do SigaBrasil) para manter o Senado, casa que possui 81 membros. Ou seja, cada senador nos custou mais de oito milhões de reais em apenas um ano!

 

Mas como um senador, que não ganha nem R$30.000,00 por mês, pode custar tanto? Primeiro existem as verbas indenizatórias, depois temos os assessores, secretários, servidores com salários astronômicos, empresas contratadas…

 

E qual a solução?

 

Para o terror de uma das minhas leitoras, isto fica para outro post!

O Brasil não é para principiantes

12, maio, 2009 1 comentário

Dado ao termino do último post, cabe um novo…

É que a frase “O Brasil não é para principiantes” tem pai, maternidade e data de nascimento. Tom Jobim a falou em 1990, em uma entrevista para a revista Isto É.

Acaso ou não, o hospital mencionado no post que inaugurou a seção “O Brasil não é para principiantes” fica exatamente em São José do Vale do Rio Preto/RJ. E daí? Tom Jobim tinha um sítio neste município, onde se inspirou para compor algumas de suas mais belas canções, como Águas de Março, Dindi e Chovendo na Roseira.

E, por incrível que pareça, o município ainda não fez um museu para homenagear um dos maiores compositores da história brasileira. Se não como reconhecimento a um ilustre sitiante, caberia construir um museu pelo menos como forma para fomentar o turismo…

É, certo estava Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes!

SUS: ressarcimento pelos Planos de Saúde

10, maio, 2009 3 comentários

Hoje, passando em frente a um hospital público que ostenta uma enorme propaganda de uma cooperativa de médicos, comentei com meus familiares: como pode, um hospital público conveniado com um plano de saúde?

Todos se indignaram imediatamente, pois o hospital público tem que atender a todos, indistintamente, ricos e pobres, pessoas que pagaram impostos ou não, sem cobrar nada de ninguém…

Mas, quando falei que, se a pessoa tiver contratado aquele seguro, a conta será paga pelo plano de saúde (art. 32 da Lei 9.656) de qualquer forma, parte das pessoas concordou com a prática do governo. O citado dispositivo diz simplesmente que as operadoras de plano de saúde são obrigadas a ressarcir o SUS em caso de atendimento de pessoas que possuam seguro saúde.

Diante da divergência entre os presentes, uma pessoa comentou que assim vamos pagar duas vezes, pois o plano vai cobrar o atendimento que já pagamos para o governo.

Feita tal constatação, todos passaram a concordar que tal ressarcimento é um absurdo.

E assim é o Brasil, você paga os impostos para que todos tenham o SUS de graça; você paga um plano de saúde por o atendimento do SUS ser precário; e se, por acaso, você for atendido num hospital público (aquele no qual todos deviam ter tratamento de saúde de graça), o seu plano de saúde (e indiretamente você) ainda termina pagando o atendimento!

Como diz um professor, o Brasil não é um país para principiantes!